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Formação dos professores

Introdução  /  Duas palavras aos professores /  Programa de formação / Calendário

Introdução 

A formação de professores é acessível a todas as pessoas que tenham já praticado com um dos professores da Escola e que tenham um conhecimento suficiente do nosso trabalho.

 Em Portugal, a formação dos professores é realizada no Centro Vlady Stevanovitch Portugal e é assegurada por Fabien Bastin, ele próprio, um dos cinco formadores da Escola internacional e responsável pela Escola em Portugal, assistido por Jeanne Houde.

Todos os que estão comprometidos nesta formação são convidados a seguirem o máximo de estágios - de todos os níveis – dados por um formador da Escola.

 A formação desenrola-se durante vários anos e compreende:

- estágios intensivos de formação e os estágios mais curtos dados pelos formadores;

- os grandes estágios de verão;

- os cursos semanais dados pelos professores da Escola;

- a prática pessoal.

          Através da “Carta da Escola”, (pedir a copia por e-mail) tereis todos os detalhes do caminho proposto a toda a pessoa que deseja comprometer-se a fundo nesta Via.

Duas palavras aos professores

Por Vlady Stévanovitch

(Extrato da revista Tai Chi Quan #2, página 6, 1991)

 Para ser professor de Tai Chi Quan, é necessário ter certas aptidões. É necessário dispor de tempo necessário à prática.

          Noutros domínios, desde que memorizemos o volume de conhecimentos requeridos, podemos ensinar e transmitir. Podemos preparar os cursos refrescando a memória. É suficiente consultar os livros.

          Tal coisa não é possível na nossa disciplina. Ela não é baseada num conhecimento conservado na memória, mas sim num desenvolvimento de certas faculdades corporais e mentais. Para poder transmitir, é necessário tê-las adquiridas.so não é possível senão através de um ensinamento directo e pessoal.

          Ora, muito frequentemente, imaginamos que as faculdades a desenvolver e a transmitir, consistem em perceber a realidade do Chi.

          Quando somos capazes de sentir o Chi, tudo está apenas a começar. Descobrir as sensações devidas ao movimento do Chi significa somente encontrar uma sensibilidade natural. Isso significa acordar e sair do sono no qual a nossa educação nos colocou.

          Isto é simplesmente voltar ao normal. Tudo está ainda por fazer para dominar o Chi e aprender o Tai Chi Quan.

          No estilo que praticamos, estas percepções são indispensáveis à execução correcta dos movimentos. Mas não é tudo. Os olhos abrem-se. As orelhas desobstruem-se permitindo entender os sons. Esta abertura constitui uma etapa frequentemente muito impressionante na vida de um praticante. Com efeito, ser surdo e descobrir em algumas semanas o mundo dos sons, é um acontecimento espectacular. Isso dá possibilidades que eram inacessíveis, e que continuam a ser para aqueles que não têm a percepção dos sons. Mas, se temos esta percepção, não por isso somos músicos. Menos ainda professores de música! É somente então que é possível aprender a tocar um instrumento. E esta aprendizagem é longa. O tempo para tornar-se chefe de orquestra ou compositor conta-se em décadas.

          Praticar o nosso estilo significa muitas vezes descobrir o mundo do Chi. Por vezes isso acontece rapidamente. O noviço sente-se rico de algo que aqueles que o rodeiam ignoram. E eis que se mete a ensinar o Tai Chi Quan.

          Olé!Olé! não tão depressa. Não confundamos. O Tai Chi Quan é uma arte. E uma arte não se aprende em alguns meses, nem em alguns anos. A arte cultiva-se, aperfeiçoa-se, elabora-se. De qualquer maneira, necessita de uma maturação. Possuir uma arte significa que se consagrou milhares de horas à aprendizagem. E dezenas de milhares de horas à pratica.

         Podemos ser praticantes assíduos, deleitados com as nossas percepções e estados de alma causados pela execução da forma. Para ensinar é necessário mais do que isso. É necessário transmitir. É necessário ter a coisa que se transmite. Pois a arte do Tai Chi Quan não se aprende. Não podemos ensinar o Tai Chi. As indispensáveis instruções e descrições que o aluno recebe, não são, por si só, suficientes para o fazer aprender os movimentos correctos e conformando-se com eles. A arte do Tai Chi Quan é transmitida. Para receber a transmissão é necessário imitar o professor. É necessário colar-se aos seus movimentos, deixar-se levar. Impregnar-se da coisa. É necessário descobrir o prazer de seguir. Pois não se pode explicar uma postura ou um encadeamento. Não há resposta para a questão: “Porquê assim?” Podemos, evidentemente, com um pouco de imaginação, dar 10 000 justificações. Nenhuma é valida.

        O Tai Chi Quan muda de uma escola para outra. No interior da mesma escola, de um professor para outro. E com o mesmo professor, muda de um ano para o outro. Porque o Tai Chi, é algo vivo. É uma expressão de Vida. Um Tai Chi codificado, sempre o mesmo, rigorosamente formal, é um Tai Chi morto. Para aprender isto, não é necessário um professor. Um livro é suficiente.

 Não ensinas com um livro na mão. O poster que colocas na parede não te serve para nada. Aos teus alunos também não. Tu transmites. E o Tai Chi que tu transmites deve ser o que a ti se impõe, após uma longa prática da forma rigorosa, aperfeiçoada até deixar sair a essência, a absoluta lógica do corpo e do movimento. O teu Tai Chi segue as correntes energéticas do lugar e do momento, e não é duas vezes o mesmo. Tu estás à escuta das energias e são elas que guiam os teus movimentos. Tu não buscas o movimento correcto. Ele faz-se. Não tentas fazer expressamente, o que por si só se faz sob o efeito de Chi. É como a acção de um íman sobre um cartão com limalha de ferro. Tentar voluntariamente fazer o movimento justo sem escutar as energias, é como tentar dispor sem um íman, à mão, todos os grãos de limalha numa determinada ordem.

 Quando são as energias que dirigem o movimento, este é sempre correcto. E esse movimento será sempre aquele que reflecte duma forma perfeita esta lógica interna do corpo, descoberta através da prática.

 O teu papel de professor é de o fazer descobrir aos teus alunos. E a ensinar-lhes a escutar a linguagem do espaço. A forma que tu lhes ensinas, não é senão a ocasião para escutar e descobrir. Esta coisa que é toda uma outra coisa…

 

Programa de formação

 O presente programa fornece a lista das técnicas que devem ser dominadas para poder-se começar a ensinar. Ao mesmo tempo pode ser visto como uma lista das técnicas que podem ser ensinadas aos alunos. Evidentemente que para ensinar é necessário saber muito mais que o aluno, sendo necessário participar igualmente noutros estágios de formação (108, 127, sons, etc.).

Trata-se assim de uma simples enumeração de técnicas, pelo que sobre o seu espírito propomos a leitura do texto “Duas palavras aos professores” ou da Carta da Escola (pedir um exemplar).

 Estes módulos podem ser seguidos junto de um ou mais Formadores da Escola, ou junto de um ou mais Professores delegados para a formação.

DIFERENTES FÓRMULAS:

A. Cursos semanais

Os cursos semanais têm uma duração de 1h30 (20 a 30 minutos com práticas no solo, 60 minutos com práticas de movimento). O conjunto destas técnicas é ensinado durante vários anos.

B. Formação pessoal

Durante muitos dos cursos semanais podem participar em jornadas ou estágios dados pelos Professores delegados ou por Formadores.

O ensinamento é aí apresentado por módulos. A caderneta de formação pessoal ajudará cada um a situar-se na formação e a escolher os estágios que permitam avançar melhor e ao seu ritmo.

C. Formação de professores da Arte do Chi, método Stévanovitch

No seguimento da formação pessoal, querendo tornar-se professores da Escola, assinareis a Carta da Escola, prosseguindo a vossa formação junto dos cinco Formadores. Tornar-vos-eis então Candidatos.

 

Módulos: Técnicas no solo

Esta lista é somente uma enumeração, sem ordem hierárquica. Para compreender o espírito propomos lerdes a Carta dos professores da Escola.

 

         Módulo 1-     “Agarrar” o Tantien

a) Os movimentos da bacia, deitado e sentado.

b )Procura da referência anterior: pressão dos dedos da eminência tenar.

c) Referência anterior, referência posterior, a barra, a balada da bola, as seis referências ligadas ao Tantien.

d)Separação dos dois níveis do ventre.

e) O esforço centrado.

f) Os primeiros abdominais.

g) Respiração abdominal sub-umbilical Tantieniana.

h) Respiração tibetana.

 

Os elementos deste módulo devem ser realizados no mínimo 2 vezes. Alguns aspectos serão retomados em outros módulos.

 

 

Módulo 2-      Técnicas de respiração

a) Abdominal sub-umbilical Tantieniana.

b) Selectivo. Por níveis. Controle da descontracção dos músculos responsáveis pela respiração.

c) Endonasal. Colocar em evidência o ponto Lu através do  do ar.

d) Completa.

e) As "reinspirações"

f) A respiração sem esforço, percebida como uma doce pressão, sem limite.

g) Oudiana.

 

Os elementos deste modulo devem ser realizados no mínimo 2 vezes.

 

Módulo 3-      Técnicas de descontracção e relaxamento (4 cursos)

a) Auto massagem das mãos, face, pés.

b) Estiramentos.

c) Rolamentos.

d) Relógio.

e) Descontracção dos ombros, da cintura escapular, da bacia.

f) Relaxamento em três tempos (pesado, quente, coração). Notar que o relaxamento com alunos principiantes não deve durar mais de g) 20 minutos).

 

Os elementos deste modulo devem ser realizados no mínimo 2 vezes.

 

Módulo 4-  Pequena circulação do Chi, abordagem (4 cursos)

a) Sensibilização dos pontos e circulação mental

b) A respiração pelos pontos e a relação da barra com o Tantien.

c) O desenrolar das costas no solo.

d) Técnica das persianas em cada um dos pontos.

e) Os abdominais.

f) Separação dos 2 níveis do ventre.

 

Os elementos deste modulo devem ser realizados no mínimo 2 vezes.

 

Módulo 5- Pequena circulação do Chi, a técnica (4 cursos)

a) Oudiana, pressionar em todos os pontos.

b) A vaga.

c) Golpe do carneiro nos pontos da pequena circulação.

d) Respiração a três tempos.

e) "Passis trough"

f) Técnica completa (gira, volta)

 

Os elementos deste modulo devem ser realizados no mínimo 2 vezes.

  

   Módulo 6- A postura sentada (4 cursos)

a) O conforto em primeiro lugar (encontrar a postura própria, a descontracção, a mobilidade).

    * Apoio sobre o Tantien.

    * O eixo compreendendo a posição da cabeça.

    * A bacia (posição neutra da referência posterior).

b) A simetria interior.

 

  Os elementos deste modulo devem ser realizados no mínimo 2 vezes.

 

 

Módulos:Técnicas de pé

 

Para as técnicas em movimento é ainda mais difícil recomendar mínimos. Isso depende de cada um. Pedir a apreciação do Formador ou do Professor Delegado.

 

     Módulo A)  Aprendizagem dos princípios de base através dos 11 exercícios de saúde e das 24 posturas

 

a) Os critérios do Tantien (báscula da bacia, pernas flectidas, pés agarram o solo, o eixo, o olhar).

b) O passo, alternância do cheio e do vazio.

c) As mãos, descontracção em souplesse, a escuta do Chi, a goela do tigre, os pontos dos punhos.

d) A face, descontracção, olhar.

e) A simplicidade do gesto; nada fazer, nada impedir (isto demora toda a vida!). O controle da descontracção e a lógca  do corpo.

f) As diagonais.

 

Este módulo não consiste na memorização mas na experimentação, e deve fazer-se numerosas vezes.

 

 

Módulo B)   Aprendizagem das formas dos 11 exercícios de saúde e das 24 posturas

Módulo a repetir numerosas vezes!

Nós privilegiamos a aprendizagem global. Este género de conhecimento não se adquire senão pela repetição incansável dos mesmos movimentos. A memória habitual deve ser colocada de lado. A boa memória é a do corpo.

Aprender a seguir é fundamental. Fazemos os 11 exercícios de saúde e as 24 posturas desde o início. Mergulhando, desembaraçamo-nos a nadar. A memorização é um obstáculo à boa aprendizagem, ela virá com o tempo.

 

          Módulo C) A respiração (a dois tempos) durante a forma (mínimo 4 cursos)

a) Alternância: Inspiração, abertura (da caixa torácica, do movimento), leveza (bola de sabão)

                   Expiração, fecho.

b) A respiração é fluida, sem esforço.

c) Trabalho de determinados exercícios de Brocados.

d) Eventualmente aproximação à respiração a três tempos.

 

             Módulo D) Os 4 tempos do movimento (4 cursos)

          1. TanTien (primeira inspiração).

               2. Libertar os 3 membros (grande inspiração).

               3. Enraizamento, o eixo (apneia).

               4. Lançar o Chi (expir).

            

         Módulo E)  A prática: os 11 exercícios de saúde, as 24 posturas, a forma de Maredret (numerosas vezes)

A fluidez. a continuidade: cada figura começa antes do fim da precedente, e o fim duma figura acaba depois do início da seguinte

A linguagem do corpo, aprender a seguir.

  

      Módulo F) O Kirikido (minimo 4 cursos)

A prática do Kirikido permite aos futuros instrutores compreender melhor a lógica dos movimentos.

Essa compreensão permite ao corpo e ao Tantien envolver-se e por conseguinte preparar a livre circulação do Chi.

Outros aspectos são: a velocidade que põe em evidência a falta de habilidade, o tónus muscular, o souplesse, a percepção mais forte do Tantien…

  

Notas

Desejando continuar a formação para se tornar professor da Arte do Chi, pedir ao seu professo a Carta da Escola.

Para poder ensinar é necessária ter uma prática pessoal, um entusiasmo e uma curiosidade pelo nosso trabalho.

Nós envolvemo-nos numa procura que nunca tem fim.